O comerciante Dilsoney Floriano, de 60 anos, saiu de Salvador em direção ao município de Cruz das Almas, distante 153 km, na última segunda-feira (22/6). A ideia, segundo ele, é "manter viva" a tradição de passar o São João com a família. 

Floriano não está sozinho. Mesmo com a pandemia do coronavírus, que bloqueou a maioria das cidades baianas, o fluxo de veículos aumentou nas estradas, contrariando as medidas de distanciamento social e orientações das autoridades. "Vim sozinho para a casa de minha irmã e percebi um movimento tranquilo na BR-324 e um pouco mais intenso na BR-101, mas sem congestionamentos", disse. 

A BR-101 é a única ligação da BR-324 com os destinos mais procurados em junho. A Polícia Rodoviária Federal confirma que os baianos pegaram o "caminho da roça" mesmo com o problema de saúde em alta. "Há um fluxo mais intenso, mas não como nos anos anteriores, onde é maior neste trecho que vai para Cruz das Almas, Amargosa e outras cidades", contou o inspetor da PRF, Carlos Santos. 

A saída de pessoas da capital que podem estar levando o vírus para as cidades menores preocupa as Secretarias Municipais da Saúde. Em Cruz das Almas, por exemplo, barreiras foram montadas na entrada do município. Só tem acesso quem é morador. Seu Dilsoney, aquele do início da reportagem, não conseguiu liberação e precisou ficar em uma casa em Sapeaçu, que fica ao lado de Cruz das Almas.